“Estas pessoas que estão a fazer este vandalismo, a estragarem coisas do povo (…) não têm diferença com aquilo que os terroristas estão a fazer”, declarou Daniel Chapo, durante o comício popular no distrito de Palma, na província moçambicana de Cabo Delgado, norte do país.
Para o Presidente de Moçambique, as manifestações que o país vive desde outubro estão a ser promovidas por “inimigos do povo”, que estão a recorrer à mesma estratégia usada pelos rebeldes que desde 2017 têm protagonizado ataques no norte do país.
“O terrorista rouba nos estabelecimentos do povo, queima os hospitais do povo, assalta posto policial para roubar armas e atacar o povo. Estes que estão a fazer vandalismo, manifestações violentas, ilegais e criminais não tem diferença com terroristas”, frisou.
Segundo o chefe de Estado moçambicano, o argumento usado pelos responsáveis pelos ataques armados no início das incursões também foi falta de emprego e oportunidades, mas estes problemas existem em outros pontos do país.
“Na Beira há falta de emprego, na cidade de Pemba há falta de emprego, mas porquê que não há terrorismo lá? Eles querem o nosso gás”, acrescentou Chapo, para quem o argumento da fraude eleitoral para as manifestações nos últimos meses também tem a intenção de “desestabilizar o país”.
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“Como Estado, nós não vamos tolerar isso”
“A nossa lei é clara: quando fala de manifestações não é para roubar, matar os outros ou roubar armas”, frisou Chapo, que acusa também os promotores das manifestações de drogarem a juventude para “atos de vandalismo”.
“Como Estado, nós não vamos tolerar isso. Em Moçambique só há um Presidente e chama-se Daniel Chapo”, frisou o chefe de Estado, pedindo vigilância a população de Palma.
O Presidente moçambicano tem sido muito criticado pelas suas recentes declarações em Cabo Delgado. Na segunda-feira, durante um comício na cidade de Pemba, onde efetua uma visita de trabalho até 26 de fevereiro, Daniel Chapo disse que: “Tal como estamos a combater o terrorismo e há jovens que estão a derramar sangue para a integridade territorial de Moçambique, para a soberania de Moçambique, para manter a nossa independência, aqui em Cabo Delgado, mesmo se for para jorrar sangue para defender essa pátria contra as manifestações, vamos jorrar sangue“, disse o Presidente.
Palma foi alvo de um dos mais mediáticos ataques protagonizados pelos rebeldes que aterrorizam a província de Cabo Delgado, quando em 24 de março de 2021 os insurgentes invadiram a sede daquele distrito, tendo provocado dezenas de mortos e feridos, bem como a fuga de milhares de pessoas.
Moçambique vive desde outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro, que deram vitória a Daniel Chapo.
Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.