“Temos muitos países irmãos que ainda estão por vir para nos apoiarem. Agora, vamos disponibilizar meios aéreos para permitir salvar aqueles que estão por cima das casas ou aqueles que estão em situações de risco”, disse este sábado (17.01) o chefe de Estado, Daniel Chapo, depois de sobrevoar a província de Gaza, no sul de Moçambique.
O Presidente disse ainda que, durante a sua deslocação à província de Gaza, a sua equipa resgatou um grupo de pessoas, incluindo uma criança de três meses, que estavam no teto de um ‘mini bus’, preso num rio, e prometeu construção de casas em zonas seguras para população afetada.
“Vamos continuar a trabalhar, para aos poucos irmos construindo casas nas zonas seguras, para permitir que, quando há situações como estas de cheias e inundações, não possamos sofrer”, disse Chapo.
De acordo com o Presidente moçambicano, o executivo vai trabalhar para assegurar a disponibilidade de mais tendas, mais bens alimentares e para o tratamento da água, bem como disponibilização de medicamentos para o tratamento das pessoas em centros de acomodação.
Só na província de Gaza, pelo menos 28 mil pessoas estão deslocadas devido às inundações e encontram-se nos centros de acomodação abertos em vários distritos.
Suspensa circulação na N1
A Administração Nacional de Estradas (ANE) de Moçambique suspendeu a circulação num troço da estrada Nacional 1 (N1) nos arredores de Maputo, na principal via terrestre do país, devido à subida do caudal do rio Incomáti.
Em comunicado, a ANE anuncia “a suspensão imediata de circulação de todo o tipo de viaturas” no troço Incoluane – 3 de Fevereiro, no distrito de Manhiça, província de Maputo, no limite com a província de Gaza, sul de Moçambique.
De acordo com a ANE, a subida do caudal do rio Incomáti fez galgar uma extensão de aproximadamente três quilómetros da N1, sendo que já estão destacadas equipas técnicas para trabalhar na monitorização da situação.
“Face a esta situação e a outras que poderão ocorrer neste período chuvoso, a ANE apela aos automobilistas e aos transportes de passageiros para programarem as suas deslocações, bem como evitar a circulação de veículos com peso acima de 10 toneladas em estradas terraplanadas”, conclui.
A sul de Maputo, também a N2 está cortada ao trânsito, devido às inundações, com centenas de pessoas retidas no distrito de Boane.
Retirada de pessoas de zonas inundadas
Entretanto, na Zambézia, o secretário de Estado na província exigiu hoje a retirada coerciva das pessoas sitiadas no distrito de Búzi, centro de Moçambique, devido às chuvas intensas e cheias que se fazem sentir, em todo o país.
“Por favor, trabalhem, não [devem] negociar, é compulsivamente mesmo, retirar [as pessoas]”, exigiu Manuel Rodrigues, aos agentes de salvação pública, a partir do distrito de Búzi, que regista aumento do volume de escoamento das águas na bacia com mesmo nome, comprometendo a mobilidade, atualmente feita apenas com barcos.
Segundo fontes locais, os sitiados recusam-se a sair das zonas já inundadas, por recear perderem os seus bens, com o secretário de Estado daquela província a alertar para o uso da força policial, caso seja necessário, para a retirada das pessoas.
Pelo menos 103 pessoas morreram e 173 mil foram afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, registando-se a destruição total de 1.160 casas e outras 4.000 parcialmente inundadas, avançou sexta-feira o Governo, que decretou alerta vermelho nacional.