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“Seja resiliente, acredite na sua força, no seu potencial, creia que é capaz e você será”, ensina Roger Stankewski. Aniano Tamele parece ter ouvido esta lição; afinal, este ano, celebra 50 anos de carreira artística. Meio século. É obra. Aguentou-se bem. Pelo caminho, nem tudo foi bonito, mas porque cedo aprendeu do pai, esse monstro chamado Eusébio Tamele, ou simplesmente Zeburane, que o caminho se faz andando, acreditou e trabalhou para fazer a sua própria estrada. Voz mais do que autorizada no cenário da música ligeira moçambicana, Aniano Tamele, nado e criado em Manjacaze, aceitou “dois dedos de conversa” com o domingo, para revisitar um pouco da sua própria caminhada para o palco dos eleitos. Autor de canções como “Tsunela Papai”, “Rosemery”, “Kakolonyi”, “Titiyani”, “Vulavula Nkata, entre muitas outras, nasceu e cresceu numa plêiade de artistas; os irmãos Gustavo, Borges, Zefanias, Alegria, Diocesano, Zaltina e Pérola, uns com mais visibilidade que outros, davam gosto às cordas vocais…. Mas, uma coisa é certa: Aniano Tamele avulta como expoente maior na tribo Tamele. Caso para dizer que o velho Zeburane, quando decidiu ensinar a arte de tocar e cantar aos filhos, sabia o que fazia. 50 anos depois, a prova viva é que Aniano Tamele segue firme na arte de compor e cantar. Tem dois discos – “Tsunela papai” e “África” – e uma legião de admiradores infinita!
Aniano, cinquenta anos … é muita fruta. Memórias dos primeiros passos?
A música sempre fez parte da minha vida. Nasci numa família de músicos. Desde muito pequeno, cresci rodeado de guitarras, instrumentos e canções. Em casa ouvia- -se muita música, sobretudo aquela que o meu pai tocava. Sou filho de Eusébio Tamele, também conhecido como Zeburane. A música entrou na minha vida de forma tão natural, quanto uma criança que nasce e aprende a alimentar-se. Quando comecei a perceber o mundo à minha volta, a música já fazia parte do ambiente da casa.
Mas isso, de per si, não faz um músico…
Claro que não… O meu pai criou uma banda musical em 1964. Era formada por jovens instrumentistas e três raparigas que cantavam, dançavam e faziam coros. Eu ainda era criança, mas acompanhava os ensaios. Lembro-me de assistir fascinado àqueles momentos. Quando essa banda acabou — porque muitos dos integrantes foram para a tropa — o meu pai decidiu ensinar música aos filhos. Ele dizia: “Se eu ensinar esta arte dentro de casa, mesmo que a banda termine um dia, a música continuará viva”.
Interessante essa visão do velho Zeburane!
Foi assim que começámos a aprender. O meu irmão Gustavo já dava os primeiros passos e eu, pouco depois, comecei também a tocar viola. Em 1976 peguei na guitarra pela primeira vez — um ano que considero simbólico na minha trajectória artística. Leia mais…