O ex-presidente Bill Clinton, numa série de publicações nas redes sociais, sexta-feira à noite, exigiu que fosse realizada uma audiência pública como parte da investigação da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre Jeffrey Epstein.
Na rede social X Clinton escreveu: “Solicitei a divulgação completa dos arquivos Epstein. Forneci uma declaração juramentada sobre o que sei. E, nesta semana, concordei em comparecer pessoalmente perante a comissão. Mas isso ainda não é suficiente para os republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara”.
Após o último lote dos arquivos de Epstein, que contém mais de 3 milhões de documentos, ter revelado fotos inéditas de Bill Clinton com Jeffrey Epstein e também com raparigas, além de emails que incluem comunicações frequentes entre Ghislaine Maxwell, a companheiro do pedófilo financeiro, e elementos da equipa de Clinton entre 2001 e 2004.
Os Clinton concordaram prestar depoimentos à porta fechada como parte da investigação do painel sobre Epstein, depois do painel da Câmara liderado pelo Partido Republicano os ter ameaçado de acusá-los de falta de respeito ao Congresso por não cumprirem as intimações relacionadas com o caso Epstein. Note-se que estas intimações exigiam explicitamente depoimentos, não audiências públicas.
Porém nas publicações no X desta sexta-feira, Clinton declara que o presidente do Comité de Supervisão da Câmara, James Comer, “só quer câmaras”, referindo-se a um acordo de 2 de fevereiro em que os Clinton prestariam depoimento à porta fechada, e não parece disposto a aceitar estas regras.
Porém, Clinton veio agora dizer que pretende que o seu próximo depoimento em vez de ser realizado à porta fechada, seja antes uma audiência pública: “Quem beneficia com este acordo? Não são as vítimas de Epstein, que merecem justiça. Não é o público, que merece a verdade. Serve apenas interesses partidários. Isto não é uma investigação, é pura política.”
O ex-presidente norte-americano recusa ser um “adereço” nas mãos dos Republicanos e conclui: “Não ficarei de braços cruzados enquanto me usam como um adereço num tribunal irregular à porta fechada, por um Partido Republicano que está com medo. Se querem respostas, vamos parar com os jogos e fazer isto da maneira certa: numa audiência pública, onde o povo americano possa ver por si mesmo do que se trata realmente”.