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Os órgãos de comunicação social devem apostar na reinvenção dos seus modelos de funcionamento, de forma a atrair novas fontes de financiamento e responder às transformações impostas pela era digital, marcada pela redução das receitas publicitárias e pelo crescimento das plataformas tecnológicas.
A posição foi defendida pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sociedade do Notícias, Júlio Manjate, durante a Conferência Nacional sobre Sustentabilidade dos Media, realizada na cidade de Maputo, ao abordar caminhos possíveis para a viabilidade económica do sector.
Segundo explicou, a principal solução passa pela capacidade das empresas de comunicação social se adaptarem ao novo contexto do mercado, criando conteúdos mais direccionados e produtos informativos capazes de atrair parceiros comerciais e gerar receitas próprias, sem comprometer a independência editorial.
Júlio Manjate sublinhou que a sustentabilidade dos media não depende apenas de publicidade tradicional, mas também da diversificação de serviços e da inovação na forma como os conteúdos são produzidos e comercializados, de modo a responder às exigências dos anunciantes e do público.
O responsável defendeu igualmente que a credibilidade continua a ser um factor determinante para a sobrevivência dos órgãos de informação, alertando que a perda de rigor jornalístico afasta leitores e potenciais parceiros institucionais e empresariais.
“A sustentabilidade passa por mantermos a confiança do público. Se o órgão de comunicação social perder qualidade e rigor, dificilmente conseguirá atrair parceiros ou manter relevância no mercado”, afirmou.
Manjate acrescentou que a adaptação dos media deve ser feita sem abandonar a sua função essencial de informar com rigor, defendendo que a inovação económica deve caminhar lado a lado com o reforço da qualidade editorial e do compromisso com o interesse público.