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- defende Rasaque Manhique, edil de Maputo
“Precisamos combater a desinformação, o jornalismo clandestino e a erosão da confiança pública nas instituições de informação, bem como assegurar que a modernização tecnológica não exclua os profissionais nem comprometa os valores fundamentais do jornalismo”.
A tese foi defendida, hoje, em Maputo, por Rasaque Manhique, presidente do Conselho Municipal de Maputo, durante a Conferência Nacional sobre a Sustentabilidade dos Media, que decorre de hoje até amanhã, promovida pelo Jornal Evidências, com apoio do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) e MISA Moçambique.
Na ocasião, Manhique referiu ainda que a rápida transformação tecnológica, a migração das audiências para o digital, a redução das receitas tradicionais, o crescimento das plataformas electrónicas e o impacto da Inteligência Artificial, estão a colocar em causa a forma como se produz, se distribui e se consome a informação.
Acrescentou que estes desafios colocam em causa a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social e a qualidade da informação, a ética jornalística e a própria saúde da democracia.
“Enquanto Município de Maputo, reconhecemos o papel determinante da comunicação social na governação participativa, na aproximação entre instituições e cidadãos e na promoção da transparência pública. Temos defendido que governar é, também, comunicar com verdade, com responsabilidade, com humanismo e sobretudo, com proximidade junto do cidadão”.
Sublinhou ainda que a sustentabilidade dos media não pode ser analisada apenas na perspectiva financeira, mas também deve ser entendida como um compromisso colectivo que envolve o Estado, o sector privado, os reguladores, os parceiros de cooperação, as plataformas digitais e a própria sociedade.
“Precisamos garantir que os órgãos de comunicação social consigam adaptar-se à transição digital sem perder identidade, credibilidade e missão pública”, disse, frisando que a inteligência artificial representa simultaneamente uma oportunidade e um desafio. Ela pode aumentar a eficiência, melhorar processos e democratizar o acesso à informação, mas não irá substituir a sensibilidade humana, o compromisso ético e a responsabilidade social que caracterizam o verdadeiro jornalismo.