O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, apontou o assoreamento e a ausência de manutenção das barreiras como a “razão base” do transbordo do rio Cavaco, na província de Benguela, criticando o Governo pela falta de planeamento.
Adalberto da Costa Júnior, que visitou, terça-feira e hoje, a província de Benguela, onde contactou as famílias vítimas das cheias, após o transbordo do rio Cavaco no domingo, e levou alguns bens de primeira necessidade, criticou o Governo pela falta de organização e planeamento.
“Porque em 2015 já aconteceu uma tragédia idêntica nesta província, que atingiu Lobito e Catumbela, desta vez uma tragédia em Benguela grande, espero que tenha o menor número de vidas perdidas, mas aqui foi perfeitamente possível identificar a razão”, disse, apontando o assoreamento do rio e a falta da manutenção das barreiras como “a razão básica”.
Segundo o presidente da UNITA, o maior partido na oposição que, a muito custa, o MPLA ainda permite que exista, que foi a Benguela acompanhado por deputados e questionou engenheiros hidráulicos sobre as razões do transbordo do rio, a acção governativa deve ser melhor organizada.
“Entender quanto é o custo de ter o rio assoreado, não nos pareceu demasiado caro, não nos pareceu que seja uma questão de limitação de meios, é uma questão organizativa que deve melhorar (…). Viemos acompanhados de deputados e, seguramente, a constatação feita nos vai levar a uma partilha com a governação, com quem tem a responsabilidade e acção governativa no sentido de não se repetir”, afirmou.
Pelo menos 19 pessoas morreram, algumas estão desaparecidas e mais de 3.600 estão desalojadas em consequência das cheias registadas em Benguela, no domingo, após as chuvas que causaram o transbordo do rio Cavaco na sequência do rompimento do dique de proteção.
Os afectados, em consequência das cheias que atingiram vários bairros da província, estão alojados em acampamentos, igualmente visitados hoje pelo Presidente da República, João Lourenço, que trabalha esta quarta-feira na província e avalia as consequências das chuvas.
Adalberto da Costa Júnior criticou as “intervenções paliativas” que, alegadamente, estão a ser feitas na compactação das barreiras do rio, após a redução do caudal.
“A intervenção imediata não deve ser paliativa, porque está a ser feita nos moldes que permitiram o desastre, não há compactação da barreira e nessas condições não é de facto a solução”, atirou.
Hoje, na sua rede social, o líder da UNITA escreveu que parte de Benguela “com coração pesado, mas com a mente iluminada pela escuta de quem sabe”, salientando que engenheiros e especialistas ofereceram mais do que diagnósticos: “ofereceram caminhos claros”.
“A tragédia que hoje choramos poderia ter sido evitada com planeamento, drenagem eficaz e decisão política. Quem governa deve servir. E servir é proteger vidas. Os recursos do Estado existem para isso. Já sabemos o que fazer. Falta apenas vontade: abrir os cofres e agir”, acrescentou no texto da sua página oficial do Facebook.
Entretanto, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Furtado, disse hoje que o Executivo do MPLA (no Poder há 50 anos) já mobilizou mais de mil toneladas de ajuda para os sinistrados da província de Benguela, destacando a solidariedade nacional.
O Presidente do MPLA, nas vestes de Presidente da República, general João Lourenço, deslocou-se hoje a Benguela, onde observou os estragos provocados por fortes chuvas que, no último fim de semana, causaram o transbordo do rio Cavaco e como consequência 19 mortos, 11 desaparecidos, afetando mais de nove mil famílias, segundo o último balanço dos bombeiros.
Além do Executivo, as empresas doaram até agora mais de 700 toneladas de ajuda, disse o ministro, vincando que está a haver “uma solidariedade nacional para com a província de Benguela e é assim que o país tem de estar”.
Segundo Francisco Furtado, o Presidente do MPLA observou por via aérea as áreas afectadas com o rompimento do dique, na margem esquerda do rio Cavaco, e percorreu a pé os locais onde estão a ser cadastradas e alojadas provisoriamente as pessoas que ficaram desalojadas.
No final da ronda, conforme avançou Francisco Furtado, o chefe de Estado angolano reuniu com o Conselho Nacional de Protecção Civil e o conselho local, tendo dado orientações concretas.
O governante disse que o Presidente interagiu com as populações nas áreas em que estão acomodadas e viu como a população está “animada à espera da solução dos seus problemas”, e manteve contacto com as empresas no terreno que estão a realizar os trabalhos de recuperação de infraestruturas, para impedir que novas situações se registem.
“Vamos continuar a trabalhar no sentido de canalizar para Benguela os apoios necessários, não apenas para mitigar os efeitos da situação atual, mas também para a partir do fim da época chuvosa, em finais de maio, comecem as grandes ações de recuperação e construção de infraestruturas adequadas para acabar com este fenómeno que se vive em Benguela, não apenas no rio Cavaco, mas também no rio Catumbela”, disse.
A protecção civil local foi igualmente orientada a sensibilizar as populações a evitarem construções em áreas de risco e o desassoreamento dos rios.
Francisco Furtado destacou que houve uma reposta rápida tanto da protecção civil local e do Executivo central, com a deslocação de helicópteros, meios da Marinha de Guerra, 15 equipas de fuzileiros navais, com cinco meios náuticos para apoiar o resgate de populações.
“Foram resgatadas até hoje mais de 3.600 pessoas que se encontravam em situação de risco e, de facto o apoio tanto do Executivo central como das empresas e da sociedade civil em geral têm sido fundamentais para garantir a estabilidade das famílias e o asseguramento das suas condições, embora ainda precárias”, disse Francisco Furtado, em declarações à imprensa no final da visita de João Lourenço.
O governante angolano disse que o Governo fez chegar a Benguela até terça-feira cerca de 830 toneladas de bens alimentares e outros necessários para apoiar o reassentamento das populações, nomeadamente as mais afetadas que se encontram em centros temporários.
“Fez-se chegar desde meios de acomodação, medicamentos, alimentos e outros meios para poder garantir a vida normal destas populações” disse o ministro, acrescentando que o trabalho vai continuar e elogiando a “solidariedade massiva de todo o país em apoio a esta causa na província de Benguela”.
O ministro destacou o engajamento de empresas de construção para a correção das situações que se registaram com o rompimento do dique, para que caso haja alguma alteração os efeitos já não sejam devastadores.
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