A UNITA (o maior partido da oposição que, a muito custo, o MPLA ainda permite) estimou hoje que o Governo angolano beneficiou de ganhos petrolíferos brutos adicionais de mais de 10 mil milhões de dólares, entre 2024 e 2026, e pediu (enquanto confirma se o Pai Natal existe) um debate parlamentar “urgente” sobre o seu impacto nas famílias.
Segundo o grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), em termos brutos, os ganhos petrolíferos adicionais em Angola terão ultrapassado os 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros), neste período.
No domínio das receitas fiscais adicionais, os ganhos extraordinários acumulados entre 2024 e 1 de Junho de 2026 variaram entre 2,3 e 4 mil milhões de dólares, “associados directa ou indirectamente à valorização impulsionada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente”, disse a deputada Albertina Ngolo.
A presidente do grupo parlamentar da UNITA, que falava hoje em conferência de imprensa, salientou que os referidos números “demonstram que Angola está a beneficiar de um dos maiores ciclos de ganhos petrolíferos extraordinários desde o período pós-pandemia”.
Contudo, observou a deputada da UNITA, a “questão estratégica” permanece a mesma, por entender que o país continua excessivamente dependente dos choques externos para equilibrar as suas contas públicas”.
“Hoje é uma guerra que sustenta parte do equilíbrio fiscal. Amanhã poderá ser um cessar-fogo, uma recessão global, uma desaceleração da China ou um excesso de oferta petrolífera que elimine rapidamente estes ganhos”, apontou.
Referiu também que a “verdadeira questão” é saber se Angola está a “transformar estes excedentes extraordinários numa oportunidade para finalmente reduzir a sua dependência estrutural do petróleo”.
“E mais importante ainda é saber se estes recursos estão a ser investidos na melhoria das condições de vida das famílias angolanas”, notou.
A deputada insistiu na necessidade de o Governo angolano (do MPLA há 50 anos) prestar contas à Assembleia Nacional (parlamento) “sobre a aplicação destes milhões, tal como recorre ao parlamento para rever em baixa do Orçamento quando o preço internacional do barril de petróleo se posiciona abaixo do preço de referência”.
Assinalou também que este cenário motivou o grupo parlamentar da UNITA solicitar ao presidente do parlamento o agendamento de um debate com “carácter de urgência” sobre o impacto do aumento do preço de petróleo no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026 e na vida das famílias.
Cálculos da UNITA projectam que Angola alcance em 2026 ganhos fiscais adicionais no sector petrolífero entre os 1,2 e 2,5 mil milhões de dólares, se o preço do barril de petróleo se mantiver entre os 80 e 93 dólares, acima dos 61 dólares (preço de referência no OGE 2026).
“Em Junho de 2026, o brent (principal referência para Angola) subiu para 93,37 dólares por barril, mantendo acima da referência orçamental, o que representa uma folga fiscal significativa para Angola”, sustentou Albertina Ngolo.
Considerou igualmente que a “opção conservadora” de 61 dólares no OGE 2026 revelou-se “prudente e benéfica”, sinalizando que o choque geopolítico “gerou receitas adicionais, não um défice”.
A deputada da UNITA apontou ainda o que classificou como “paradoxo angolano”, observando que a guerra no Médio Oriente “pode enriquecer temporariamente o Estado angolano”, mas “não enriquece automaticamente as famílias se estes recursos não foram investidos para maior produtividade nacional, industrialização, crescimento agrícola, inovação tecnológica e diversificação das exportações e na redução da fome e da pobreza”.
“É um enriquecimento efémero, porque resulta de factores externos e imprevisíveis, ou seja, Angola continua a depender mais da geopolítica internacional do que da transformação estrutural da sua própria economia”, concluiu a deputada.
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