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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu, durante uma cimeira em Bruxelas, que os líderes da União Europeia abram todos os capítulos de adesão nas próximas semanas e aprovem a candidatura acelerada de Kiev.
Na visão do líder ucraniano, o seu país “merece a plena adesão à União Europeia mais do que qualquer outro Estado europeu”. Na perspectiva de Zelensky, a exigência da aceleração do processo de adesão da Ucrânia justifica- -se pelo facto de a Ucrânia ser o país que “pagou mais do que qualquer Estado europeu pelo direito de ser livre, independente e europeia”. É caso para dizer que Zelensky voltou a usar a guerra contra a Rússia como uma cartada para pressionar, ou “chantagear”, os líderes da União Europeia a aceitarem o seu país como membro da organização que “une” os Estados europeus.
O recente apelo de Zelensky evidencia que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia não representa apenas um conflito militar pela integridade territorial ucraniana. Ela constitui, igualmente, um campo de disputa política e simbólica no qual diferentes actores procuram converter os custos da guerra em recursos de influência internacional.
Neste contexto, o presidente ucraniano tem estado a desenvolver uma estratégia diplomática assente na mobilização do sofrimento nacional como argumento para acelerar a integração da Ucrânia nas estruturas euro-atlânticas, nomeadamente a União Europeia e o braço armado dos EUA/ Ocidente – a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Embora esta estratégia seja muitas vezes apresentada pelos seus apoiantes como uma reivindicação legítima, uma leitura crítica sugere que ela pode ser entendida como uma “chantagem”, ou pressão política, sobre os parceiros europeus. Leia mais…