Quando um partido consegue inverter, na geografia mental dos cidadãos, a lógica da matemática é porque encarnou a tese do vampirismo e capachismo. É mister recordar que na abertura da sublevação de 11 de Março de 2011, os jovens tinham como lema das manifestações, contra o reinado de JES, o slogan: “32 É MUITO”!
Por William Tonet
Passaram-se mais seis (6) anos (32+6 =38), destacando-se, no pico do regime eduardista, a prisão de 17 presos políticos no famoso “Caso 15+2”, que injusta e ditatorialmente, franquearam por vários meses (Junho de 2015 a Junho de 2016) as fedorentas masmorras do regime, por estarem a ler um livro, sobre democracia e ditadura…
O sistema judicial prostituiu-se, vergonhosamente, como nunca antes, ao julgar e condenar inocentes, para satisfazer a “lascívia mental” de um poder em corrosão. Mas eles não se calaram. Resistiram! Mantêm as vozes audíveis. Atravessaram a ponte de ontem, mantendo a resiliência hoje. Em nome das liberdades.
FIM DO EDUARDISMO E…
Em 2017, o país político assistiu a uma transição no seio do partido no poder… Uma maioria estava convencida, que a mudança de cadeira (de JES para JLO) alteraria o paradigma. Acabaria a corrupção, num estalar de dedos. Enganaram-se. Redondamente.
Cedo vaticinei um calvário três vezes pior. Amigos deixaram de me falar. Crucificaram-me. Endossaram impropérios, pelo meu cepticismo. Hoje ninguém mais discute o sexo do cão. Quando a transição assenta na raiva, ódio e vontade de apagar, quem te entregou, de bandeja, o bastão e o cadeirão do poder absoluto, ela está fadada ao fracasso.
Ficou provado em Angola. Em África não prospera. No resto do mundo, sucumbe. Muitas vezes se questiona: João Lourenço teria capacidade de vencer um pleito eleitoral interno, verdadeiramente democrático, livre e justo, no seio do próprio MPLA?
A resposta é óbvia. Sem indicação imperativa de Eduardo dos Santos nunca chegaria aos dois poderes (MPLA e República). Não tinha carisma, nem poder retórico para vencer muitos dos pesos pesados do bureau político, de então.
Só mesmo a imposição imperial e o erro de casting de José Eduardo dos Santos assente nos 38 anos de poder, permitiram uma escolha sem muita contestação interna, ao ponto de ter sido vista como normal a escolha feita pelo líder.
E com isso ascendeu, João Lourenço ao poder absoluto, hoje, imperial! A implantação do seu projecto político, não alicerça uma ideologia robusta, nem um programa económico social capaz de causar mudanças, com impacto na vida da maioria dos 20 milhões de pobres, nos últimos nove anos.
O que acontece é um viés mental perverso, exibido, em hasta pública, assente em “destruir, tirar, perseguir, o deles (JES), para construir o nosso (JLO)”. É uma tese, que assassina “o que estava bem”. A actuação tem sido draconiana, contra o peculato.
O nepotismo. A corrupção. A pena de morte. Hoje conceitos invertidos, que dispensam qualquer interpretação benévola…
Isso por o mal estar a ganhar estatuto institucional.
Os concursos públicos, que deviam ser a regra, passam a excepção, com a contratação simplificada a ser a regra “lourenciana”.
São milhões e milhões de dólares, endossados, sem escrutínio a capacidade técnica de amigos e camaradas de partido, que se apossam, indevida e ilegalmente, dos milhões de dólares, dos milhões de famintos… Isso por a lógica do objecto ser: ROUBAR É UM DEVER REVOLUCIONÁRIO.
E todos se esmeram em o fazer… Antes, também, havia roubos. Ladroagem, mas hoje os valores surripiados ao erário público, são estratosféricos. Impensáveis.
JOÃO LOURENÇO E O NOVO PARADIGMA…
A perseguição a que Eduardo dos Santos esteve sujeito…até a morte, foi escabrosa…
A transportação do seu corpo de Espanha, para Luanda, como reles mercadoria, num fedorento porão do avião da TAAG, enquanto, principescamente, a mulher separada, mas não divorciada, se alojava na primeira classe, criou um verdadeiro clima de comoção, até mesmo no seio da classe inimiga e adversária externa. Não carecia de tanta humilhação na morte, por parte de quem ele indicou para o substituir…
E, longe deste acto ser um ganho, passou a ser considerado uma verdadeira insensibilidade e malvadez. Uma marca ditatorial como lustro da nova casta no poder.
Os 38 anos, pelo “quantum” deveriam ser uma referência negativa. Mas, paradoxalmente, a política de “entregacionismo” das matérias-primas e vira-lata, ante as políticas de rapina do ocidente (FMI e BM), conferem uma imagem negativa da política de João Lourenço e positiva de José Eduardo dos Santos, pelo nível de vida, que afastava pessoas de comer em contentores de lixo.
Ao destruir as bases da economia, que assentava em parcerias económicas entre angolanos e estrangeiros, através da constituição obrigatória de empresas mistas, para alavancar os empreendedores e empresários angolanos, João Lourenço, voluntária ou involuntariamente, comete(u) um crime de mercado.
Muitos angolanos, sem apoio da banca nacional (dominada por portugueses), que se julgavam na classe média, foram atirados às calendas com esta acção discriminatória e selectiva.
Com isso, os nove anos de João Lourenço significam mais sofrimento, fome, miséria, desemprego, corrupção, nepotismo, peculato, injustiças, prisões, assassinatos selectivos e colonialismo. Complexadamente esta política, transformada em lei, pelos assimilados, no poder, emponderou apenas os de fora, permitindo-lhes a criação de empresas com 100% de capital externo.
Uma organização política, vendo o mar político internacional revolto, tende a adoptar políticas de defesa da sua soberania. Mas quando, em nove anos, trilha caminhos contrários, trai o objecto principal do país.
A libertinagem económica sob alegação de economia de mercado, significa a continuidade subreptícia do colonialismo por outras vias. Mais escabrosas. Quando a maioria autóctone vê, impotente, nestes nove anos de tortuosa e indefinida governação a entrega do solo pátrio ao capital estrangeiro, significa estarmos nas trevas, a viver no futuro indefinido. Se nada se fizer, para inverter o actual quadro dantesco, sucumbiremos, como povos e país soberanos. Corremos o risco de ver as nossas terras serem vendidas, como acontece na Via Expresso, Camama, Kikolo, Hoji Ya Henda, etc, aos chineses. O MPLA não tem plano económico com que, um angolano, dentro ou fora do seu espectro ideológico se possa orgulhar, tão anti–pátria e anti-Angola, que é.
O MPLA converteu-se num partido de extrema direita, que age como vira-lata ocidental e asiático. Complexado. Domado para ter, na liderança, gente assimilada, adepta da língua colonial, exclusiva na Constituição, anti línguas autóctones, culturas, tradições e costume (art.º 7.º CRA) analisado na óptica do ex e novo colonizador, como se os autóctones tivessem natureza selvagem.
PARAÍSO COLONIAL CHINÊS
Angola, entenda-se empresa chinesa, exportou, no 10 de Abril de 2026, 1.000 (mil) toneladas de lingotes de alumínio para os Países Baixos, titula a comunicação social pública em letras garrafais. Aparentemente parecia uma notícia capaz de orgulhar os angolanos de, finalmente, estarmos na via certa… Mas a emoção cedo se desmoronou. Trata-se da exportação de uma empresa 100% chinesa, Huatong, implantada no nosso solo pátrio, Barra do Dande, província do Bengo.
Na etiqueta o alumínio ostenta: China.
No contentor engalanado desfralda, em “prima facie” a bandeira da China.
É a vitória do colonialismo internacional, sob a bênção do MPLA, um partido complexado e sem orgulho nacional.
Se a matéria-prima é de Angola e dos angolanos, não deveria ser extraída, explorada e exportada como chinesa. Mas é! Infelizmente. Fosse uma empresa mista e, daqui a dois anos, os angolanos poderiam ter know how, para cunhar a marca 100% angolana. Hoje, amanhã e sempre, será desgraçadamente chinesa, para servir, primariamente, o estrangeiro. São as regras do capitalismo selvagem e anti-Angola do partido no poder.
A China, tal como o ocidente defende regimes, que lhes entrega a soberania económica, o domínio das terras, a exploração e discriminação da mão de obra angolana, autêntica carne de canhão, sob jugo do novo império – colonial, que estabelece, transversalmente as regras de pagamento. Mesmo que um trabalhador se despeça de um patrão chinês, árabe ou ocidental, encontrará igual tratamento noutro. Uma verdadeira rede mafiosa de exploração humana.
E, tudo sob olhar silencioso e cúmplice do Ministério do Trabalho e Segurança Social, cujos órgãos se vergam ao vil metal externo, contra os próprios compatriotas.
A FRAUDE ELEITORAL
Por isso, os especuladores estrangeiros, diferentes dos poucos investidores sérios, não estão comprometidos com a corrupção e a ladroagem institucional, assente em comportas jurídicas frágeis, que garantem, através do simulacro eleitoral batoteiro, com a espanhola INDRA, a manutenção do poder.
A CNE não é uma organização independente e séria, tal como não parece ser o presidente, Manuel da Silva Manico, que poderia estar a contas com a justiça ou na cadeia, depois de blindadas denúncias de roubo e corrupção, na Comissão Provincial Eleitoral de Luanda, feitas por André da Silva Neto, então presidente da CNE.
De roubo de computadores, a alimentação, um caderno, que num país sério, nunca alguém com tão sabujo curriculum chegaria a presidência de um órgão eleitoral, que se pretende imparcial, independente e sério.
E, neste Abril de 2026, a idoneidade e reputação de Manuel da Silva ficou mais maculada ao recusar responder às preocupações legítimas de cidadãos quanto à lisura do contrato que deu vitória, mais uma vez, a espanhola INDRA, para o controlo informático do processo eleitoral. Negou-se, covardemente! E justificou com desconhecimento da qualidade do sujeito. É a nave na idade da pedra jurídica.
Constitucionalmente os cidadãos podem questionar órgãos públicos pela utilização dos seus dados informáticos e os actos administrativos de um órgão público, ao abrigo dos artigos 69.° (Habeas data); 73.° ( Direito de petição, denúncia, reclamação e queixa) e 74.° (Acção popular), logo é uma burralização condicionar uma resposta ou ainda pretende que esta seja exclusiva a associações legalizadas. Não! O cidadão tem direito à informação e a ser informado.
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